Artigo originalmente publicado no jornal “A Gazeta” no dia 12 de maio de 2017.

Marcos Guerra e Leonardo de Castro – presidente e presidente eleito do Sistema Findes

A paralisação da Samarco após o rompimento da barragem em Mariana (MG) trouxe impactos amplamente discutidos pela sociedade. Ao longo de 2017, a inatividade da mineradora implicará uma perda de arrecadação de R$ 206 milhões para o Espírito Santo, colocando em risco mais de quatro mil famílias – entre empregos diretos e indiretos. Não podemos esquecer que vidas foram perdidas e muitos prejuízos contabilizados, mas a empresa, em nenhum momento, se furtou à tarefa de prestar assistência às vítimas do episódio.

Responsável por mais de 4% do PIB capixaba em 2015, a mineradora vem atuando com afinco, há quase um ano e meio, para a recuperação do meio ambiente e a diminuição dos impactos sociais pós-rompimento. A criação da Fundação Renova, que investirá R$ 11,5 bilhões nos próximos dez anos, enfatizou o compromisso da indústria com ações de reparação, restauração e reconstrução dos locais atingidos – entre eles, o Espírito Santo. O Sistema Findes, por meio de suas entidades, atuará como parceiro neste trabalho.

Negar a relevância da Samarco para a economia capixaba e ignorar os primeiros resultados obtidos pela Fundação seria atrasar a retomada do nosso Estado. Cabe lembrar que o Espírito Santo possui a maior participação da indústria na composição do PIB (38,9%) e, sem a mineradora, registrou o pior ano da história do setor produtivo em 2016, segundo o IBGE: retração de 18,8% na indústria geral, influenciada pela queda de 31% do segmento extrativo. Por consequência, o PIB capixaba sofreu recuo de 12,2%, de acordo com o Instituto Jones dos Santos Neves. Cenário grave, mas reversível.

Não há hoje, no Espírito Santo, investimento capaz de gerar tanta riqueza imediata para a população como a Samarco, a exemplo da inauguração do Projeto Quarta Pelotização, em 2014, responsável por um incremento de 17% nos empregos formais da região. Considerando a cadeia produtiva, seria possível estimular a reabertura de postos de trabalho e aquecer toda a rede de serviços do sul do Estado. Estudo da Tendências Consultoria Integrada aponta que a paralisação representa perda de massa de renda de R$ 283 milhões em 2017.

O Brasil vive um momento desafiador, com mais de 13 milhões de desempregados. O Espírito Santo segue organizado, com contas ajustadas, em busca de novos investidores que possam fazer girar a economia capixaba. O maior investimento, entretanto, não precisará vir de fora. Temos no retorno da Samarco a esperança de dias melhores para o povo capixaba, com empregos e oportunidades para todos. Não há mais o que esperar. Somos todos capixabas. Somos todos Samarco.

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