Empresários do Espírito Santo se reuniram para uma oficina de trabalho organizada pelo Fórum Capixaba de Petróleo e Gás (FCP&G), coordenado pela Findes, sobre oportunidades de negócio. No encontro, realizado na última terça-feira (27), foram apresentados os segmentos que serão demandados pela indústria extrativa nos próximos anos.

Doze blocos de exploração no Espírito Santo foram arrematados em setembro de 2017, durante a 14ª rodada de licitações promovida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Oito poços terrestres serão explorados por três empresas capixabas, representando uma porta de entrada para fornecedores locais.

Um dos palestrantes da oficina de trabalho do FCP&G, o venezuelano diretor da Imetame Energia – vencedora em cinco blocos no último leilão da ANP –, Miguel Edgar Nunez Sanchez, enfatizou que, embora a exploração offshore movimente maior volume de recursos, os poços terrestres abrem espaço para novas empresas, estimulando o desenvolvimento da cadeia produtiva.

“Nos Estados Unidos, a exploração terrestre feita por independentes movimenta US$ 263 bilhões, equivale a 4% do PIB e, em 2015, atingiu 65% do gás produzido”, argumentou Nunez Sanchez. “O futuro da exploração no Brasil é enorme, o pré-sal tem reservas maiores que todo o território da Venezuela. As grandes operadoras estão focadas neste mercado, o que gera oportunidades para as pequenas em terra”, destacou o diretor.

Oportunidades

O também diretor da Imetame Energia, Giuliano Favalessa, listou perfilagem, cimentação, contratação de caçambas, fornecimento de fluidos e produtos químicos como alguns dos serviços usualmente contratados durante o processo de exploração. “Quando iniciamos o trabalho no poço, há uma retaguarda de contratações nas fornecedoras que equivale a 60% da mão de obra usada na exploração”, estimou.

O gerente de projetos Ricardo Serro, responsável pela implantação de produção offshore no Estado, demonstrou confiança nas empresas capixabas. “A diferença entre offshore e onshore são os números: um trata de bilhões, o outro de milhões. O Espírito Santo conta com uma estrutura cada vez melhor e com serviços de qualidade, a exemplo do Estaleiro Jurong, que compete em pé de igualdade com grandes estaleiros do mundo. Por que não fabricar soluções dentro do próprio Estado se temos uma indústria de primeira linha?”, lembrou Serro.

Inovação e qualificação

Para aproveitar tais oportunidades, no entanto, é preciso inovar, ponderou Nunez Sanchez. “A inovação aumenta o retorno do investimento, por isso temos trabalhado com comunicação wireless, sistemas de vibrações para mapear poços, big data, machine learning, diversas inovações e técnicas que nos permitem potencializar resultados”, enumerou. O diretor de Inovação, Produtividade e Tecnologia do Senai no Espírito Santo, Mateus Simões de Freitas, concordou.

“O Senai vem se modernizando para auxiliar as empresas capixabas que desejam inovar, pensar novos produtos que possam atender à demanda das operadoras e ampliar nossa participação na cadeia produtiva. Estamos focados na melhoria da infraestrutura e na realização de parcerias para fazer da indústria capixaba uma referência em inovação no setor”, projetou Simões.

Além do trabalho de inovação, o Senai também vem investindo na oferta de cursos conectados com as necessidades da indústria de petróleo e gás, conforme pontuou o coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, Durval Vieira de Freitas. “Há uma necessidade contínua de profissionais que dominem fundamentos básicos, como soldadores, pintores industriais, eletricistas e mecânicos de manutenção”, detalhou.

 

Confira setores da economia que podem ganhar oportunidades na cadeia de petróleo e gás

 

  • Manutenção

  • Transporte

  • Vestuário

  • EPI

  • Alimentação

  • Hotelaria

  • TI

  • Pintura

  • Mecânica

 

Fonte: FCP&G
Por Rafael Porto

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