Prezados industriais, excelentíssimo senhor Governador Paulo Hartung, meu amigo e presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, senhoras e senhores;

Sinto-me honrado pela presença de cada um de vocês nesta noite, ocasião singular na vida de qualquer liderança industrial. Assumo esta missão com otimismo, ao lado de uma Diretoria competente e comprometida; um grupo imbuído dos melhores propósitos para o desenvolvimento do Espírito Santo.

Chegamos ao presente momento graças ao diálogo transparente e sincero, construindo pontes e unindo a indústria em torno de um propósito maior: fazer do Sistema Findes um instrumento cada vez mais poderoso e efetivo para aumentar a produtividade e a competitividade do tecido industrial capixaba.

Quero, desde já, reconhecer o importante trabalho desempenhado pela diretoria do presidente Marcos Guerra, da qual fiz parte ao lado de diversos industriais que aqui se encontram. Poucos compreendem a responsabilidade que o líder de uma Federação tão plural e capilarizada como a Findes carrega.

Parabéns à diretoria e ao presidente Marcos Guerra por todos os avanços alcançados nos últimos seis anos. Avanços estes que contaram com o determinante apoio da CNI, aqui representada pelo presidente Robson Andrade, um líder que nunca se privou de atender os pleitos justos e bem estruturados desta Federação. A indústria capixaba, presidente Robson, agradece e confia na continuidade desta aliança pelo desenvolvimento do Espírito Santo.

Devemos também deferência aos presidentes eméritos da Findes nesta noite. Cada diretoria, em seu tempo, deu importantes contribuições para a indústria e a sociedade capixaba ao longo dos últimos 59 anos.

Minha gratidão à história de Américo Buaiz e Jones Santos Neves Filho (in memoriam), a Osvaldo Vieira Marques e Hélcio Rezende Dias, a meu pai e grande amigo, Sérgio Rogério de Castro, e também a José Bráulio Bassini, Fernando Vaz, Lucas Izoton e Marcos Guerra.

 

Senhoras e senhores,

Muitos me questionam sobre o desafio de gerir a Federação em um momento de crise como o que vivemos. Gosto de surpreendê-los com uma resposta otimista: este é um período fantástico para mudar o país. Estamos diante de uma grande janela de oportunidades, por meio da qual é possível vislumbrar a superação de uma agenda de reformas pleiteadas há décadas.

Nos últimos 14 meses, aprovamos o marco regulatório do pré-sal, a lei das estatais, o teto dos gastos públicos, a terceirização, a reforma trabalhista e, recentemente, a convalidação dos incentivos fiscais – as duas últimas, vale lembrar, tiveram a competente e corajosa relatoria do senador Ricardo Ferraço. A bancada capixaba esteve unida, na Câmara e no Senado, o que nos fez mais fortes na defesa do desenvolvimento nacional.

São avanços significativos, que aceleram o aumento da produtividade na indústria, um ponto vital para o futuro do país. MAS PRECISAMOS IR ALÉM! A agenda de reformas deve prosseguir. E temos evidências da adesão crescente de cidadãos e da sociedade.

Pesquisa da CNI aponta que 75% dos brasileiros concordam com mudanças que tragam sustentabilidade à Previdência. A reforma trabalhista foi apoiada por sete em cada dez trabalhadores, segundo o Ibope. Sinais claros de que os brasileiros entenderam seu protagonismo na pauta de transformações do país.

NESTA OPORTUNIDADE, aproveito para conclamar os industriais e os demais empresários aqui presentes a se posicionarem ativamente no debate democrático a favor das reformas da previdência, política e tributária, demandas urgentes e ainda pendentes, além de defenderem um ajuste fiscal real, pautado na redução de despesas, não no aumento de impostos. Não podemos nos esquivar da discussão de temas essenciais para o futuro do Brasil, muito menos terceirizar responsabilidades. ESTA É A HORA DE RECONFIGURAR O ESTADO BRASILEIRO E ADEQUÁ-LO À MODERNIDADE!

Ao contrário do que profetizou o economista e diplomata brasileiro Roberto Campos, NÓS CANSAMOS SIM de ser a nação “que não perde uma oportunidade de perder uma boa oportunidade”. Não podemos desperdiçar este momento!

Senhoras e Senhores,

O mundo entrou na chamada Quarta Revolução Industrial, na qual novas tecnologias fundem robótica, nano e biotecnologia, impressões 3D, internet das coisas e inteligência artificial, gerando grandes rupturas e, ao mesmo tempo, enormes oportunidades. A indústria 4.0, inserida neste contexto, é disruptiva, molda estilos de vida, desbrava, abre mercados e cria novos negócios.

Precisamos rapidamente nos inserir nesta onda de mudanças para usufruirmos das oportunidades que virão. A Findes, sem sombra de dúvidas, trabalhará incansavelmente para que isso ocorra. Queremos fazer da nossa indústria a mais competitiva e produtiva do Brasil.

Toda mudança traz desconforto, especialmente em questões estruturais. Todavia, se a causa que nos move é a busca da prosperidade da indústria capixaba, não nos privaremos dos ajustes determinantes deste projeto. Como disse o dramaturgo Bernard Shaw, “não há progresso sem mudança e, quem não muda a si mesmo, não muda coisa alguma”.

Amigos capixabas,

O Espírito Santo é um Estado industrial. Abrigamos 19 mil indústrias, que geram cerca de 180 mil empregos, pagando os melhores salários em todos os níveis de formação. O PIB industrial capixaba representa R$ 42 bilhões, quase 39% da composição do PIB estadual – o maior percentual dentre todos os Estados brasileiros. Somos também responsáveis por 62% das exportações do Espírito Santo.

Temos orgulho do qualificado parque industrial capixaba, composto por setores diversificados, presentes de norte a sul no Espírito Santo: rochas, alimentos e bebidas, cerâmica, metalmecânica, confecção e vestuário, químico, naval, transformação de plástico, automotivo, moveleiro, celulose, siderurgia, mineração, petróleo e gás.

Os números e os exemplos são incontestáveis: ONDE TEM INDÚSTRIA FORTE, TEM DESENVOLVIMENTO.
É como visualizamos a indústria de petróleo e gás, que configura importante estímulo ao projeto de transformação do Espírito Santo que esta diretoria almeja. É nossa prioridade reforçar o Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, que possui Findes, Petrobras, Shell e Governo do Estado em seu comitê estratégico.

Esta iniciativa é um potente instrumento para desenvolver a cadeia local de fornecedores, focando em inovação, melhoria incremental e promoção de parcerias estratégicas.

O setor retomou boas expectativas, reforçado pela chegada de executivos qualificados às empresas públicas, com modelos de gestão estritamente técnica, sem influência política. Exemplo maior disso é o nosso convidado desta noite, o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

Notáveis mudanças foram percebidas na empresa nos últimos meses, que passou a priorizar boas práticas de governança e compliance, racionalizar investimentos e alinhar a política de preços à realidade do mercado.
Outro indicador positivo são os leilões da ANP, agendados para o segundo semestre. Segundo projeção da Agência, cerca de R$ 50 bilhões serão investidos nos campos onshore e offshore do Espírito Santo nos próximos anos, ampliando negócios em um setor que já representa 28% do PIB industrial capixaba.

É preciso ressaltar, governador Paulo Hartung, que o interesse de grandes indústrias pelo Estado é fruto do PROJETO ROBUSTO de crescimento sustentável, com equilíbrio fiscal, segurança jurídica e priorização da educação, associado ao grande esforço para melhoria da infraestrutura que Vossa Excelência, em conjunto com a bancada federal, a Assembleia Legislativa e o Judiciário Capixaba tem comandado. A gestão pública do Espírito Santo muito nos orgulha e serve de referência para o país.

Sabemos que a melhoria do ambiente de negócios é fator decisivo para novos investimentos, resultando em crescimento e bem-estar para a sociedade. A indústria, devo enfatizar, ao contrário do que muitos afirmam, não quer benesses. Não queremos privilégios. Queremos condições para trabalhar e prosperar. Nosso anseio é por um Estado forte em seus papéis centrais, dando liberdade às empresas em sua luta diária, sem entraves tributários, jurídicos, burocráticos e políticos.

Senhoras e senhores,

Permitam-me comentar brevemente alguns dos pontos que nortearão o plano de trabalho construído por esta diretoria para os próximos anos. Ouvimos mais de 400 industriais em todo o Estado, com apoio da Macroplan, a quem agradeço na figura do Claudio Porto e das empresas que viabilizaram sua contratação: ISH, Vale, Arcelor, Grupo Buaiz, Unimed e Sicoob.

Definido nosso mapa de navegação, focamos em seis eixos, distribuídos em 25 programas e 67 projetos. De maneira objetiva, julgo importante detalhar, ao menos, cinco destes programas:

– Excelência na Educação Básica e Profissional: não existe indústria produtiva sem educação de qualidade. Vamos nos empenhar para que Sesi e Senai concentrem seus esforços na evolução da qualidade da formação. Queremos evoluir, sermos medidos e reconhecidos como formadores de excelência.

– Melhorias estruturais do ambiente de negócios: acreditamos que a desburocratização, a transparência, a previsibilidade, a celeridade e a segurança jurídica são pontos fundamentais para o aumento da competitividade. Vamos desenvolver e irradiar sugestões e ações neste sentido.

– Mais produtividade: a indústria vive de produtividade. Nenhuma empresa sobreviverá se abdicar deste objetivo prioritário. Queremos difundir boas práticas, formar profissionais, estimular investimentos e induzir a adoção de ferramentas de gestão, sempre visando à evolução da produtividade.

– Modernização e fortalecimento da Governança e Compliance: gestão enxuta, regras claras, conformidade, objetivos bem definidos, estrutura de decisão compartilhada e respeito aos colegiados são preceitos desta construção. Nem toda mudança é explícita, nem toda obra estrutural cabe numa moldura, mas sem elas não é possível sustentar as transformações que a Findes anseia.

– Por fim, falemos de “Inovação na Indústria Capixaba”. Tudo está mudando muito rápido; todos os setores produtivos estão sendo desafiados e reinventados. Contribuir para a construção de um ecossistema de inovação no Espírito Santo será a luta mais intensa desta Federação.

Um novo ciclo de desenvolvimento surgirá decorrente do alinhamento de todas as iniciativas em prol da inovação no Estado. Nossa crença está na indústria de base tecnológica, originada a partir do diversificado parque industrial já em operação no Estado.

Nesta oportunidade, senhor Governador, a Findes propõe a criação de um Fórum de Inovação do Espirito Santo, com objetivo de alinhar iniciativas, organizar esforços metodologicamente e conquistar resultados robustos para todos.

Um Fórum com gestão compartilhada entre entidades, sociedade, Governo e academia, com governança independente. Um projeto de sociedade, que transpasse mandatos e priorize o futuro do Estado. Fica a proposta, governador!

O valor principal desta diretoria é a convergência. Nosso foco maior é o alcance dos resultados, não a autoria.

Obrigado!

Imprimir

Notícias Relacionadas