Programa apresentado durante o Encontro Nacional da Indústria (ENAI) sugere às entidades da indústria diversificar receitas, prestar serviços de qualidade e até o compartilhamento de espaços para reduzir custos

Os sindicatos que se mostrarem relevantes para as empresas terão mais chances de enfrentar os desafios colocados pela reforma trabalhista, que tornou facultativa a contribuição sindical. A fim de fortalecer o associativismo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou, nesta terça-feira (3), em Brasília, uma proposta para ajudar as entidades do setor industrial a trabalharem de forma estratégica e sustentável. Entre as sugestões estão a diversificação de receitas, a prestação de serviços e a ampliação da base sindical.

Durante o evento, os presidentes das Federações das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Leo de Castro, e do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Porcello Petry, apresentaram iniciativas bem sucedidas de relacionamento e apoio aos sindicatos em seus estados. “Sindicato é igual a uma empresa, precisa de boa gestão”, defendeu o presidente da federação capixaba, que implantou o Índice de Desenvolvimento Sindical para medir o desempenho dos 33 sindicatos filiados e dos sete que estão em processo de registro. “Os sindicatos têm autonomia plena, cabe a nós induzir, motivar, mostrar o que é importante, apoiar as demandas que surgem. Esse é o nosso papel e é isso que a gente está fazendo de forma intensa”, disse.

Leo de Castro afirmou ainda que os sindicatos precisam ser vistos como instrumento de desenvolvimento. “Se o sindicato desaparecer, quem vai bater na porta e dizer que estamos fazendo falta? Se a gente fizer esse exercício e concluir que ninguém vai questionar, alguma coisa muito errada precisa ser revista. Precisamos ser enxergados como instrumento de desenvolvimento, que aumenta a competitividade da indústria, melhora o ambiente de negócios, induz boas práticas e cria um cenário que oportunize desenvolvimento econômico para todos”, disse.

A CNI sugere, por exemplo, que os sindicatos realizem parcerias locais para oferecer aos associados descontos ou vantagens diferenciadas junto a instituições, fornecedores ou prestadores de serviços. Em conjunto com as federações estaduais das indústrias, as entidades devem ainda realizar diálogos com especialistas para atender as empresas que desejem aprofundamento em temas que as ajudem a solucionar problemas específicos.

Responsável pelo Programa de Desenvolvimento Associativo (PDA), a CNI também estimula e orienta os sindicatos a compartilhar despesas comuns em um mesmo espaço, nos moldes do chamado coworking, nos quais empreendedores dividem uma mesma estrutura. A avaliação é de que os custos diretos dos sindicatos poderiam ser reduzidos substancialmente.

A proposta de modernização da estrutura sindical também prevê ampliar o alcance das contribuições associativa e assistencial, que têm como destinação manter as atividades dos sindicatos e dar apoio nos processos de negociação coletiva. Sugere ainda que as entidades trabalhem para captar as indústrias não associadas a fim de elevar a arrecadação com a contribuição sindical facultativa e implementar a contribuição confederativa.

De acordo com o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, a proposta para fortalecer os sindicatos da indústria começou a ser discutida em 2012, quando se tornou mais forte a possibilidade de aprovação de uma reforma trabalhista, o que ocorreu em 2016. “Começamos a pensar em como fazer com que os sindicatos tivessem, além da estrutura adequada para prestar serviço, a possiblidade de ter uma receita espontânea, comprometida pelas empresas em função do entendimento de que a vida sindical é extremente importante para as elas”, afirmou ele, durante o Encontro Nacional da Indústria (ENAI), que reuniu dois mil representantes de empresas, sindicatos e das 27 Federações das Indústrias, em Brasília.

DIAGNÓSTICO – O apoio da CNI também inclui a elaboração de um diagnóstico, seguindo uma metodologia técnica, para formular uma estratégia de curto e longo prazos para cada sindicato. A previsão é que o estudo fortalecerá algumas entidades, por meio de fusão e incorporação de sindicatos do mesmo segmento, ou sugerir a extinção de alguns deles. Levantamento mostra que o Brasil possui mais de 16 mil sindicatos, dos quais cinco mil são do setor produtivo. Apenas os segmentos industriais possuem 1.250 sindicatos.

“Esperamos que esse programa possa realmente ser implantado de forma produtiva e que todos possam ter seus sindicatos fortalecidos e reconhecidos como entidades que fazem a representação na defesa comercial, que provêm serviços realmente utilizados por seus associados”, avaliou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijoadi. “Neste momento, temos um grande diálogo sobre inovação e a indústria exige uma mudança de mentalidade, de comportamento e de orientação estratégica”, complementou.

Durante o evento, os presidentes das Federações das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Leonardo Souza de Castro, e do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Porcello Petry, apresentaram iniciativas bem sucedidas de relacionamento e apoio aos sindicatos em seus estados. “Sindicato é igual a uma empresa, precisa de boa gestão”, defendeu o presidente da federação capixaba, que implantou o Índice de Desenvolvimento Sindical para medir o desempenho dos 33 sindicatos filiados e dos sete que estão em processo de registro. “Os sindicatos têm autonomia plena, cabe a nós induzir, motivar, mostrar o que é importante, apoiar as demandas que surgem. Esse é o nosso papel e é isso que a gente está fazendo de forma intensa”, afirmou.

O presidente da FIERGS também argumentou que a defesa de interesses da indústria e a prestação de serviços de qualidade vão determinar os sindicatos vitoriosos. “Se a contribuição deixou de ser compulsória, tem de ser coberta de outra maneira. É preciso ter outras fontes, que virão à medida em que as entidades prestem serviços de boa qualidade. É como uma empresa, quem vende é quem tem os melhores produtos”, afirmou Petry.

Encontro Nacional da Indústria (ENAI) – Organizado desde 2006, o Encontro Nacional da Indústria (ENAI) reúne empresários de todo o país para debater questões estratégicas para o desenvolvimento do Brasil. Neste ano, o evento conta com a participação de mais de 2 mil representantes do setor industrial. Acompanhe a cobertura completa na Agência CNI de Notícias e as fotos no Flickr da CNI.

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